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Insulinoma em Furões

Atualizado em 12/02/2021

  • Não sou veterinário.
  • Todo o material aqui mencionado tem caráter meramente informativo. Questões de natureza médica devem ser avaliadas por um médico veterinário devidamente treinado e com conhecimentos específicos sobre furões.
  • As fontes são conhecidas e tidas como confiáveis
  • Não execute tratamentos por conta própria !

Muito relutantemente resolvi incluir mais informações sobre esta doença, mas devido à situação de um dos furões de uma amiga, senti o dever de faze-lo.

O pâncreas

É um órgão localizado no abdome perto do baço e é o responsável por secretar enzimas pancreáticas no intestino para auxiliar a digestão dos alimentos e também secreta vários hormônios na corrente sanguínea. O mais famoso deles é a insulina que regula o nível de açúcar no sangue.

Os níveis normais de glicose no sangue de um furão fica entre 90-125 mg/dL.

Níveis abaixo de 70 mg/dL necessitam de investigação

Existem células específicas que produzem a insulina, as ilhotas de Langehans, também conhecidas como células pancreáticas beta.

Em um animal saudável, o nível de glicose no sangue varia moderadamente, dentro de limites bem estabelecidos. O excesso de glicose caracteriza o que chamamos de diabetes.

Mas o pâncreas tem uma capacidade limitada de produção de insulina e se o furão (ou qualquer mamífero) ingerir carboidratos e/ou acúcares em excesso, essas células beta são super estimuladas e em alguns casos pode evoluir de maneira diferente do diabetes e tornar-se um câncer pancreâtico que chamamos de insulinoma mas esse mecanismo ainda é desconhecido.

No caso da diabetes, a produção de insulina não é suficiente devido ao “desgaste” das células. Então, com menos insulina, os níveis de glicose sobem, podendo chegar a níveis muito perigosos.

No caso do insulinoma é como se as células beta saíssem do controle, produzindo uma quantidade absurda de insulina, o que leva ao caso oposto, a baixa do nível de glicose no sangue a níveis potencialmente fatais.

Diabetes (rara em furões), produção insuficiente ou nula de insulina, causando hiperglicemia

Insulinoma (comum em furões), produção excessiva de insulina, causando hipoglicemia

O insulimoma pode ter diversas causas, como por exemplo genética, mas também há uma correlação com o consumo de açucares e carboidratos. Por isso é absolutamente necessário não oferecer alimentos contendo carboidratos e açúcares para furões !

O que é o insulinoma

Insulinoma é a designação de dois tipos de cânceres de pâncreas e todos tem a característica de produzir uma quantidade excessiva de insulina, o que causa desbalanços enormes na taxa de açucares no sangue, o que pode levar nos casos mais graves, coma diabético e morte.

Tipicamente esse tipo de tumor ocorre em furões com idades entre 4 e 6 anos, mas podem ocasionalmente serem encontrados em idades fora deste intervalo.

Também acontecem casos de insulinomas concorrentemente com outras formas de cancer  como doença adrenal, linfomas, cardiomiopatias e outras doenças. Por isso o diagnóstico correto é extremamente importante.

A ocorrência pode dar-se vagarosamente ou de forma abrupta, com sinais que podem ficar cada vez mais frequentes.

Existem dois tipos:

Insulinoma Comum – É menos agressivo e se for tratado no estágio inicial a expectativa de vida aumenta bastante, mas necessita de vigilância total por toda a vida.

Insulinoma Difuso – É bastante agressivo e de difícil tratamento, com a expectativa máxima de vida em torno de menos de dois anos, sendo sorte se for mais de um ano.

Ambos normalmente são malignos, não há cura total, mas geralmente quando há tratamento adequado, a expectativa de vida é bastante alta, sendo que podem viver até anos com insulinoma sob controle.

Os principais sintomas são:

  • Perda de peso
  • Letargia, fadiga
  • Tonteira
  • Tremedeira
  • Falta de coordenação nas pernas de trás
  • Salivação excessiva e levar as patinhas à boca
  • Apetite geralmente normal, as vezes menor
  • Evolui para CONVULSÕES que são emergências médicas !

No início os sintomas são leves, com casos eventuais de hipoglicemia. Com o tempo os sintomas aumentam de gravidade.

No caso de ocorrerem um ou mais desses sintomas, procure o veterinário sem hesitar.

O diagnóstico é feito por exame clínico e dosagem de glicose sanguínea, com checagem do pâncreas por ultrassom ou outro exame por imagem.

Tratamento

O tratamento deve ser iniciado o quanto antes, e pode ser cirúrgico com a remoção de parte do pâncreas ou a base de medicamentos, como predisona e outros esteróides, dependendo da idade e do estágio da doença. O uso de esteróides só pode ser feito com acompanhamento médico pois pode causar úlceras e hemorragias gástricas potencialmente fatais.

O tratamento cirúrgico é o preferido no caso de furões jovens, e consiste geralmente de uma remoção parcial do pâncreas e dos tumores mais evidentes.

Medicamentos como a predisona sempre devem ser dados acompanhados de comida pois irritam muito o estomago e são causas frequentes de úlceras que podem ter evolução fatal se não evitadas. Geralmente receita-se Carafate (sucralfato) algumas vezes por dia. Não preciso mencionar para não tentar medicar seu furão sem orientação veterinária !

É muito importante não dar nenhum tipo de alimento rico em açucares e deve-se evitar carboidratos ao máximo. Se isso for feito, o pâncreas afetado secretará uma quantidade imensa de insulina na corrente sanguinea (efeito rebote) que poderá causar choque diabético ou mesmo morte. A alimentação deverá ser oferecida diversas vezes ao dia e cuidadosamente monitorada.

Não ofereça nada doce, isso inclui passas(1), frutas(2) e outras coisas similares !

(1) Passas além de conterem uma quantidade imensa de açúcares, são tóxicas para furões e podem levar a falência renal. Não existe quantidade segura. (2) Além do problema do açucar podem causar obstrução intestinal potencialmente mortal.

Siga corretamente o tratamento indicado pelo seu veterinário especialista, assim como ações de urgência.

Em caso de hipoglicemia ou choque causado por insulinoma CONSTATADO:

  • Xarope de glicose tipo Karo, mel como segunda opção. Aplicar uma pequena quantidade, algo como 2 gotas nas gengivas, com um cotonete (dedos não!). A reação ocorre normalmente em cerca de um minuto. A quantidade deve ser pequena pois pode ocorrer efeito rebote se usada uma quantidade maior do que a necessária. Reaplique a cada 10 minutos se necessário
  • Hidratação
  • Oferecer alimento rico em proteina. Isso ajuda a estabilizar o nivel de glicose no sangue.
  • Leve ao veterinário !

Monitoramento é a chave ! Cheque os níveis de glicose no sangue de acordo com as instruções do seu veterinário.

UMA VEZ DIAGNOSTICADO O INSULINOMA JAMAIS ATRASE O INÍCIO DO TRATAMENTO!

Links importantes:

Ferretcentral.org

MSPCA.org

Miami Ferret

All About Ferrets

Matéria no Ferretclub de Camberra, Austrália, por Dra. Vet. Shone Whaite

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